A Escola Linguística de Praga
A Escola Linguística de Praga desenvolveu-se entre as duas guerras mundiais e beneficiou-se do fato de ter conseguido harmonizar os ensinamentos de Saussure com uma outra importante linha de reflexão sobre a linguagem, a do Psicólogo Karl Bühler. Outra figura importante foi Wilhem Mathesius.
O que conta na concepção de comunicação utilizada por Saussure é que os interlocutores tenham pleno controle sobre os elementos pertinentes dos signos linguísticos mediante os quais se comunicam. Essa concepção de comunicação é própria da concepção saussuriana, basta para distinguir língua e fala e para estabelecer como a fala depende da língua, mas reduz de certo modo o processo de interpretação a uma questão de discriminação dos signos que se transmitem, e nada nos diz sobre o que acontece quando interpretamos.
Mathesius indicou um caminho possível para superá-la ao alcançar a idéia (hoje quase banal, mas em seu tempo altamente revolucionária) de que a comunicação afeta dinamicamente nossos conhecimentos e nossa consciência das situações. Com essa concepção dinâmica da comunicação, Mathesius pôde sugerir que o dinamismo comunicativo se distribui de maneira desigual nos enunciados que efetivamente utilizamos para fins de comunicação, e assim chegou à idéia de que os enunciados comportam tipicamente uma parte menos dinâmica - o tema - e uma parte mais dinâmica - o rema.
A Glossemática
Tendo como figuras de ponta os dinamarqueses Luis Hjelmslev e Viggo Brondal, a glossemática desenvolveu-se na Universidade de Copenhague. A Glossemática foi a escola de linguística estrutual que mais consequentemente procurou aplicar a tese saussuriana de que as línguas se constituem como sistema de oposições. É em Hjelmslev que encontramos o par terminológico sintagma x paradigma. Tendo desenvolvido uma reflexão linguística menos aderente ao significante, a glossemática conseguiu dar um enfoque estruturalista ao estudo da significação.
O funcionalismo
A crédito dessa escola tem que ser registrada a clareza com que formulou e reafirmou a chamada "dupla articulação da linguagem" - estabelecendo que haveria em toda língua natural dois níveis de oposição (e de combinatória); aquele em que as unidades podem ser contrastadas de modo a fazer aparecer, simultaneamente, diferenças de forma e de sentido (esta é , para Martinet, a primera articulação, que corresponde às palavras) e aquele em que se podem pôr à mostra diferenças que apenas servem para distinguir unidades (esta é a segunda articulação, cujas unidades são os fonemas).
Romam Jakobson
Resumiu seus interesses linguísticos na fórmula: Linguista sum, linguistici a me nihil alienum puto" (Sou humano, acho que tudo que é humano tem a ver comigo). Coube a Jakobson mostrar que a fonologia não era apenas uma representação útil para os fins "técnicos" que haviam levado à sua descoberta; Ele mostrou, com efeito, que assimilação progressiva dos traços permite reconstituir as etapas que a criança percorre na aquisição da linguagem, assim como define a ordem em que se dá sua perda nos falantes acometidos de afasia. Ao fazê-lo, ele mostrou que no nível dos traços e dos fonemas funcionam alguns processos combinatórios ue tiram partido de duas relações fundamentais: A contiguidade e a similaridade, as memas relações que em outros níveis garantem o funcionamento da gramática e dão origem a figuras de linguagem fundamentais, da metáfora e da metonímia... Jakobson foi funcionalista.
O estruturalismo/ A linguística de Chomsky
No caso do estruturalismo europeu, esses sinais manifestaram-se na forma de revisões ou de ataques abertos que, de um modo ou de outro, apontavam para um fato crucial: o estruturalismo havia levado a desconsiderar aspectos dos fenômenos linguísticos que são essenciais para a sua compreensão, e estava funcionando como um handicap para a investigação.
Pêcheux diz que a linguística saussuriana retirando-se do campo da parole teria transformado todos os fenômenos textuais e semânticos numa espécie de terra de ninguém. Ao descartar a fala como objeto de estudo científico, Saussure teria destruido simultaneamente a possibilidade de uma linguística textual e a possibilidade de uma análise científica do sentido dos textos.
Foram então percebidos como problemas três traços do estruturalismo que já vinham sendo criticados em outras áreas do conhecimento: seu caráter anti-historicista, anti-idealista e anti-humanista. As críticas de Pêcheux atingiram o estruturalismo, isso explica a repercussão que teve na Europa.
A partir de 1960, a linguística de Chomsky comandou uma revolução científica que atingiria em cheio o estruturalismo americano, como nova metodologia de investigação, incorporando parte do conhecimento acumulado pela investigação de campo da geração anterior.
E assim termina o resumo sobre o texto de Rodolfo Ilari, "Estruturalismo Linguístico". Bye!
A Escola Linguística de Praga desenvolveu-se entre as duas guerras mundiais e beneficiou-se do fato de ter conseguido harmonizar os ensinamentos de Saussure com uma outra importante linha de reflexão sobre a linguagem, a do Psicólogo Karl Bühler. Outra figura importante foi Wilhem Mathesius.
O que conta na concepção de comunicação utilizada por Saussure é que os interlocutores tenham pleno controle sobre os elementos pertinentes dos signos linguísticos mediante os quais se comunicam. Essa concepção de comunicação é própria da concepção saussuriana, basta para distinguir língua e fala e para estabelecer como a fala depende da língua, mas reduz de certo modo o processo de interpretação a uma questão de discriminação dos signos que se transmitem, e nada nos diz sobre o que acontece quando interpretamos.
Mathesius indicou um caminho possível para superá-la ao alcançar a idéia (hoje quase banal, mas em seu tempo altamente revolucionária) de que a comunicação afeta dinamicamente nossos conhecimentos e nossa consciência das situações. Com essa concepção dinâmica da comunicação, Mathesius pôde sugerir que o dinamismo comunicativo se distribui de maneira desigual nos enunciados que efetivamente utilizamos para fins de comunicação, e assim chegou à idéia de que os enunciados comportam tipicamente uma parte menos dinâmica - o tema - e uma parte mais dinâmica - o rema.
A Glossemática
Tendo como figuras de ponta os dinamarqueses Luis Hjelmslev e Viggo Brondal, a glossemática desenvolveu-se na Universidade de Copenhague. A Glossemática foi a escola de linguística estrutual que mais consequentemente procurou aplicar a tese saussuriana de que as línguas se constituem como sistema de oposições. É em Hjelmslev que encontramos o par terminológico sintagma x paradigma. Tendo desenvolvido uma reflexão linguística menos aderente ao significante, a glossemática conseguiu dar um enfoque estruturalista ao estudo da significação.
O funcionalismo
A crédito dessa escola tem que ser registrada a clareza com que formulou e reafirmou a chamada "dupla articulação da linguagem" - estabelecendo que haveria em toda língua natural dois níveis de oposição (e de combinatória); aquele em que as unidades podem ser contrastadas de modo a fazer aparecer, simultaneamente, diferenças de forma e de sentido (esta é , para Martinet, a primera articulação, que corresponde às palavras) e aquele em que se podem pôr à mostra diferenças que apenas servem para distinguir unidades (esta é a segunda articulação, cujas unidades são os fonemas).
Primeira articulação: palavras;
Segunda articulação: fonemas.
Romam Jakobson
Resumiu seus interesses linguísticos na fórmula: Linguista sum, linguistici a me nihil alienum puto" (Sou humano, acho que tudo que é humano tem a ver comigo). Coube a Jakobson mostrar que a fonologia não era apenas uma representação útil para os fins "técnicos" que haviam levado à sua descoberta; Ele mostrou, com efeito, que assimilação progressiva dos traços permite reconstituir as etapas que a criança percorre na aquisição da linguagem, assim como define a ordem em que se dá sua perda nos falantes acometidos de afasia. Ao fazê-lo, ele mostrou que no nível dos traços e dos fonemas funcionam alguns processos combinatórios ue tiram partido de duas relações fundamentais: A contiguidade e a similaridade, as memas relações que em outros níveis garantem o funcionamento da gramática e dão origem a figuras de linguagem fundamentais, da metáfora e da metonímia... Jakobson foi funcionalista.
O estruturalismo/ A linguística de Chomsky
No caso do estruturalismo europeu, esses sinais manifestaram-se na forma de revisões ou de ataques abertos que, de um modo ou de outro, apontavam para um fato crucial: o estruturalismo havia levado a desconsiderar aspectos dos fenômenos linguísticos que são essenciais para a sua compreensão, e estava funcionando como um handicap para a investigação.
Pêcheux diz que a linguística saussuriana retirando-se do campo da parole teria transformado todos os fenômenos textuais e semânticos numa espécie de terra de ninguém. Ao descartar a fala como objeto de estudo científico, Saussure teria destruido simultaneamente a possibilidade de uma linguística textual e a possibilidade de uma análise científica do sentido dos textos.
Foram então percebidos como problemas três traços do estruturalismo que já vinham sendo criticados em outras áreas do conhecimento: seu caráter anti-historicista, anti-idealista e anti-humanista. As críticas de Pêcheux atingiram o estruturalismo, isso explica a repercussão que teve na Europa.
A partir de 1960, a linguística de Chomsky comandou uma revolução científica que atingiria em cheio o estruturalismo americano, como nova metodologia de investigação, incorporando parte do conhecimento acumulado pela investigação de campo da geração anterior.
E assim termina o resumo sobre o texto de Rodolfo Ilari, "Estruturalismo Linguístico". Bye!

